terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O PECADO DE DAVI E O PERDÃO NOSSO E DE DEUS



(DO SITE DO PE. FERNANDO CARDOSO)


27 de janeiro de 2012 (1ª leitura da sexta-feira da 3ª semana comum: 2ª Samuel 11,1-17 e 12,1-25)


Hoje, a Bíblia nos apresenta uma página turva, fosca, da história de Davi.

Os telespectadores já estão percebendo que eu, normalmente, faço comentários à primeira leitura porque, normalmente, o Antigo Testamento é menos conhecido do que o Novo, mas é também Palavra de Deus que serva para nossa reflexão e alimento espiritual.

O texto nos fala de dois pecados gravíssimos cometidos por Davi: em primeiro lugar um adultério, assumindo como mulher própria, e tendo relacionamento sexual com a esposa legítima de um soldado seu hitita chamado Urias; o segundo pecado, pior ainda, mais grave, foi o homicídio de Urias para que a gravidez e o filho de Bersabéia ficasse escondido e não viesse à tona o adultério perpetrado por Davi. Naquela época não havia exames de DNA.

Dois pecados gravíssimos. E aqui Davi, lamentavelmente, manchou de maneira forte a sua existência. Davi, nesses dois pecados graves, é o retrato de muitos de nós que, embora armados de reta intenção, de castos desejos, de quando em quando resvalamos. E neste caso aqui não se tratou de pecados corriqueiros, os mais graves que se podem cometer: primeiro uma infidelidade conjugal, um adultério; em segundo lugar, e pior, um assassinato.

Infelizmente esta página vem manchar a biografia de Davi. E assim acontece também com as nossas biografias. Se não tomamos cuidado, se não vigiamos de acordo com o mandamento de Jesus, se não rezamos diariamente, se não nos examinamos, se não vivemos alerta, estas coisas acontecem conosco também. Quantos adultérios e quantos assassinatos não são perpetrados diariamente em todas as nossas cidades? Sim, estes dois pecados de Davi são pecados que se cometem diariamente, através dos quais Deus, na Sua santidade, é ofendido.

Bem, talvez um ou outro diga: “não cometi nenhum desses dois até o dia de hoje. Nunca adulterei e nunca assassinei quem quer que fosse”. Por graça de Deus. Mas é possível que outros pecados graves tenham manchado a nossa veste batismal que recebemos branca no batismo, e prometemos conduzi-la branca ao tribunal de Deus. Se isto aconteceu, não apenas imitamos Davi no seu pecado, mas nos tornamos indignos do reino de Deus.

O pecado é sempre uma desordem grave na vida, ofende a Deus, e traz conseqüências funestas para nossa vida (o padre Fernando acrescenta, no dia 28, que um dos castigos 
de Davi foi a morte do filho que Betsabéia concebeu nesse pecado de Davi.) 

30 de janeiro de 2012)

No segundo Livro de Samuel, são narradas tragédias e turbulências pelas quais passou a casa real de Davi. Foi Davi um pecador penitente que aceitou as consequências do mal praticado. Absalão, um de seus filhos, assassinou o irmão Amnon por ter violentado a irmã Tamar. Por sua vez, Absalão foi também assassinado por Joab, general de Davi. Adonias, outro filho de Davi, seria mais tarde assassinado por ordem de Salomão. E assim, a espada que Davi desembainhou em sua casa, matando o marido de Betsabéia – Urias, o hitita - não mais o abandonou. O resto da história de Davi é uma sucessão de lutas sangrentas entre os irmãos, a ver com quem ficaria o reino após a morte do pai.

Diante desse texto, não podemos deixar de trazer à lembrança tantas famílias desarticuladas, desunidas, onde algumas vezes impera ódio mortal entre irmãos ou parentes. Desunião familiar é verdadeira chaga, que pode começar entre marido e mulher, mas depois se propaga entre irmãos. Que tragédia, quando percebemos em família que irmãos não se falam, evitam-se, ofendem-se e nunca mais entrarão em acordo.

Rezemos pelas famílias que se encontram nessa situação. Além da oração, que é fundamental, ajuda vinda de fora, serviço habilidoso e tempo são capazes de curar feridas que, de outra maneira, apenas aumentariam.
Em primeiro lugar, se alguém possui ódio no coração, reconcilie-se primeiro com o irmão a quem ofendeu ou com quem está ofendido, porque sua relação com Deus pode estar dessa forma comprometida.

Nem sempre as coisas se passam de maneira tranquila. Há casos em que pessoas ofendidas não desejam conceder o perdão; nem tudo depende apenas de nós. Em situações como essas, faz-se o que se pode e se entrega a Deus a situação que não pôde ser amigavelmente resolvida.

Ao lado de grandes perdões, existem também perdões menores e quase diários, que devemos conceder ou pedir. Caso emblemático é o perdão entre marido e esposa. Se não se perdoam recíproca e frequentemente, um muro de separação se vai levantando entre ambos, a ponto de a convivência, mais tarde, tornar-se impossível. É possível, a esse propósito, perdoar o cônjuge infiel? Eis uma questão que não pode ser aqui resolvida. Trata-se de algo muitíssimo delicado, mas conheço pessoas que, na oração, encontraram força para perdoar a parte infiel. Naturalmente não se trata aqui de perdoar “setenta vezes sete”. Não esqueçamos que perdoar significa também saber pedir perdão. Não somos apenas credores de perdão; somos também devedores.

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